Panorama sobre parto e nascimento no Brasil é apresentado durante workshop sobre saúde materna

Redator: Milena Miranda – Jornalista DRT Ba 2510

No Dia Internacional da Mulher, celebrado hoje, dia 8 de março, o Ministério Público estadual promoveu o workshop sobre saúde materna na sede da instituição no CAB. Com o tema ‘Saúde reprodutiva e perinatal no Brasil: desafios para um trabalho intersetorial em favor da redução das iniquidades’, o evento contou com a palestra da médica e doutora em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Maria do Carmo Leal, que apresentou os resultados da pesquisa que coordenou intitulada ‘Nascer no Brasil: Inquérito nacional sobre Parto e Nascimento’. O workshop foi aberto pelo promotor de Justiça Rogério Queiroz, que dividiu a mesa de abertura com a pesquisadora, com as promotoras de Justiça Ana Luiza Menezes e Mirella Brito; e a presidente do Conselho Estadual dos Secretários Municipais de Saúde da Bahia (Cosems), Stela dos Santos Souza. “Hoje é dia de alertar, mas também de celebrar conquistas, como o fato de termos uma procuradora-geral de Justiça mulher, Ediene Lousado, e uma Promotoria de Justiça especializada no atendimento às mulheres”, destacou o promotor de Justiça Rogério Queiroz.

A presidente do Cosems, Stela Souza, relatou que é necessário mudar a realidade enfrentada por muitas mulheres de agressão no parto. “Estamos na luta para melhorar o acesso ao parto e ao nascimento”, ressaltou. A médica Maria do Carmo Leal falou sobre os riscos da realização de cesáreas agendadas, os interesses que envolvem a prática no país e como o modelo de assistência obstétrica influencia na saúde da mulher e do recém-nascido. A pesquisa foi realizada nos anos de 2011/2012 com 24 mil mulheres em 266 hospitais do país, que realizavam 500 ou mais partos por ano. Foram entrevistas 90 mulheres em cada hospital. Segundo a pesquisadora, a partir de 2010, o país passou a ter mais partos cesáreos do que normais. “Para terem ideia, nos hospitais públicos a taxa média de cesárea é de 40%; nos hospitais privados conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS) a taxa sobe para 50%. Já nos hospitais unicamente privados a taxa de cesáreas alcança 90%”, ressaltou. Ela complementou que a taxa de cesárea mais baixa é registrada nos hospitais públicos da região sudeste.

“No Brasil as cesarianas são agendadas sem ao menos se tentar fazer um parto normal. Nosso grande desafio é enfrentar a ocorrência do parto cesáreo em mulheres saudáveis que estão grávidas do seu primeiro filho”. Ela defende que as cesarianas eletivas atingem mulheres de todas as classes sociais, que recebem intervenções desnecessárias. “Nossa hipótese é que a alta proporção de cesarianas agendadas está atenuando os benefícios para a saúde materna advindos da assistência pré-natal e do maior acesso a serviços de atenção ao parto, tipicamente observados em mulheres com melhores condições socioeconômicas”. Outro dado apresentado pela médica foi que na época em que foi realizada a pesquisa, 48% dos bebês que nasceram no setor privado estavam com 37 ou 38 semanas. Ela alerta que o país está expondo esses bebês a riscos desnecessários. “O Brasil está violentando seus bebês, arrancando-os do útero da mãe antes de eles estarem prontos para nascer”.

Crédito das fotos: Guilherme Weber - Rodtag

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