Observatório de Maternidades do MP discute boas práticas de parto e nascimento humanizado

As boas práticas na assistência a gestantes do Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira foram apresentadas em mais uma reunião do Observatório de Maternidades, na manhã desta sexta-feira, 14. A apresentação foi conduzida pelo diretor do considerado 1º Centro de Parto Normal (CPN) da Rede Cegonha do Brasil, José Carlos Gaspar, e pela enfermeira obstetra da Coordenação de Enfermagem do CPN, Damiana Santos, que reforçaram a importância do parto e nascimento humanizado. O encontro, que foi aberto pelas promotoras de Justiça Andréa Scaff e Juliana Rocha, gerentes do Observatório das Maternidades, e Patrícia Medrado, coordenadora do Centro de Apoio Operacional da Saúde do MP (Cesau), contou com a participação de membros, servidores do MP e de outras entidades, profissionais da área de saúde e assistentes sociais. 

Ao início do evento, Patrícia Medrado lembrou o propósito da Rede Cegonha, que consiste em uma rede de cuidados que visa assegurar à mulher, dentre outros direitos, atenção humanizada a gravidez, ao parto e puerpério. “A humanização do parto é tema de extrema importância no que diz respeito a saúde da parturiente e do recém-nascido e deve ser encarado como um processo cujo destaque é a autonomia da gestante e o respeito às suas necessidades e as do bebê, sempre tendo por objetivo a garantia da saúde e do bem-estar de ambos”, destacou a promotora de Justiça.

Além do respeito ao parto como experiência pessoal, cultural, sexual e familiar, a atenção humanizada e as demais diretrizes da Rede Cegonha objetivam o aumento da segurança nos nascimentos e a redução da taxa de mortalidade materna. Esse modelo de assistência também garante o protagonismo e a participação ativa da mulher com a equipe médica nas decisões referentes ao seu parto. 

“Por essa e outras razões, o tema precisa ser debatido pela sociedade e demonstra-se de grande valia o compartilhamento de informações entre o poder público, os órgãos de controle, as unidades de saúde, as próprias gestantes e os profissionais da área de saúde”, concluiu Patrícia. 

Já a promotora de Justiça Andrea Scaff pontuou que o intuito do Observatório de Maternidades é de, justamente, fomentar melhores práticas, o aperfeiçoamento e implantação das estratégias da Rede Cegonha no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). “Temos avanços e  temos retrocessos. Com essa guinada do trabalho remoto, buscamos fortalecer as reuniões. É essa persistência dos atores que estão aqui que fazem a diferença na estratégia da Rede Cegonha, nas suas unidades de saúde e nos seus postos de trabalho”. 

“Mantemos a ideia inicial deste ano de discutir a superlotação das maternidades, mas sem perder de vista outros indicadores que são de fundamental importância e que integram a Rede Cegonha, e que muitas vezes soam menos importantes”, complementou a promotora de Justiça Juliana Rocha. 

A promotora de Justiça Lívia Vaz, que atua nas Promotorias de Racismo e Intolerância Religiosa e de Proteção às Mulheres, parabenizou a iniciativa e chamou atenção para a necessidade de trazer um “olhar interseccional das questões de gênero e de raça que perpassam as discussões de parto humanizado” nos próximos encontros. 

Modelo de assistência 

Na apresentação das experiências do Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira, o médico e diretor do CPN, José Carlos Gaspar, defendeu que a organização da assistência ao nascimento deve estar voltada para satisfazer os interesses da mulher e da família por meio do apoio constante da equipe. “A gravidez e o nascimento são eventos únicos na vida da mulher e, deste modo, é responsabilidade de todos aqueles envolvidos na assistência proporcionar uma atmosfera de carinho e humanismo neste momento tão importante”.

Reconhecido como o 1º Centro de Parto Normal (CPN) da Rede Cegonha do Brasil, o Centro de Parto Normal Marieta de Souza Pereira foi inaugurado em 2011. Mesmo com pouco tempo de atuação e capacidade instalada de 90 partos por mês, o modelo de assistência já é referência no país na adoção de práticas para um parto humanizado. 

No encontro virtual foram apresentados alguns indicadores do CPN, como números e posições de parto, intervenções, perfis das gestantes atendidas, entre outros dados. Também foram discutidos desafios e limitações das maternidades quanto a estrutura física e orçamentos.

“As nossas maternidades são antigas, há muita dificuldade em atualizar a estrutura física. Vemos o trabalho pessoal de profissionais tentando oferecer essa proposta de humanização de parto e nascimento dentro daquilo que é possível. Mas a humanização depende de seres humanos, de ambiência. Precisamos conciliar tecnologia, assistência, treinamento, mas, acima de tudo, amor”, destacou Gaspar. 

Redator: Thídila Salim*

*Estagiária de jornalismo sob supervisão de Elane Varjão – MTB 5400/BA

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